quarta-feira, 22 de julho de 2009

Dengue


A dengue é uma doença infecciosa febril aguda, que pode se apresentar de forma benigna ou grave. Isso vai depender de diversos fatores, entre eles: o vírus e a cepa envolvidos, infecção anterior pelo vírus da dengue e fatores individuais como doenças crônicas (diabetes, asma brônquica, anemia falciforme).


Descrição da doença

Doença infecciosa febril aguda, que pode ser de curso benigno ou grave, dependendo da forma como se apresente: infecção inaparente, dengue clássico (DC), febre hemorrágica da dengue (FHD) ou síndrome de choque da dengue (SCD)Sinonímia: Febre de quebra ossos.Agente etiológico: É um arbovírus (vírus transmitido por artrópodes, como os mosquitos) do gênero Flavivírus, pertencente à família Flaviviridae, com quatro sorotipos conhecidos: DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4.Reservatório: O ser humano é a fonte de infecção e é também o reservatório vertebrado. Vetores: São mosquitos do gênero Aedes. A espécie Aedes aegypti é a mais importante na transmissão da doença e também pode ser transmissora da febre amarela urbana.
A dengue é uma das mais importantes arboviroses que atinge principalmente os países de clima tropical. A Organização Mundial de Saúde estima que três bilhões de pessoas vivem em áreas de risco para contrair dengue no mundo. Estima-se que anualmente 50 milhões de pessoas se infectam, com 500 mil casos de Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) e 21 mil óbitos, principalmente em crianças.


Aspectos epidemiológicos

Entre 2002 e 2008 ocorreram cerca de 2,5 milhões de casos de dengue no País. O maior número de casos ocorreu em 2002, cerca de 700 mil. Após a epidemia de 2002, houve uma redução significativa em 2003 e 2004 com 281.005 e 72.481 casos respectivamente. Em 2005, os casos voltaram a subir, com registro de 150.827 casos de dengue. Em 2006 ocorreram 259.514 casos e em 2007 foram cerca de 475.267 casos. Em 2008 foram registrado 585.769 casos de dengue no Brasil.

Há ocorrência de casos de dengue em todas as regiões do País. Nos últimos cinco anos a Região Sudeste confirmou 658.406 casos, representando 43% do total de casos notificados no período. A segunda região com maior número de casos é a Nordeste com 470.007 casos representando 30% do total de casos do período. Em 2007 houve registro de casos autóctones no Rio Grande do Sul, porém a partir de 2008 os casos registrados no estado foram importados.
Pessoa:
A distribuição dos casos por faixa etária mostra que nos últimos 7 anos a faixa etária de 15 a 49 anos foi responsável por 65% do total de casos notificados, seguida pelos menores de 15 anos que representam 18,5% dos casos. Houve mudança na distribuição dos casos na faixa etária menor de 15 anos, que passou a concentrar 28% dos casos em 2008.


Notificação de casos suspeitos:

Dengue é uma doença de notificação compulsória. Todo caso suspeito deve ser comunicado ao Serviço de Vigilância Epidemiológica do município por meio da ficha do SINAN. A equipe de controle vetorial local deve ser informada para que tome as medidas necessárias ao combate do vetor.
Aglomerados de casos de FHD e óbitos devem notificados ao CIEVS, pois se trata de um evento inusitado.


Aspectos clínicos e Epidemiológicos

A infecção por dengue causa uma doença cujo espectro inclui desde formas oligossintomáticas ou assintomáticas, até quadros com hemorragia e choque, podendo evoluir para óbito.

Dengue clássica (DC) – A primeira manifestação é a febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, seguida de cefaléia, mialgia, prostração, artralgia, anorexia, astenia, dor retroorbital, náuseas, vômitos, exantema, prurido cutâneo. A doença tem duração de 5 a 7 dias, mas o período de convalescença pode ser acompanhado de grande debilidade física, e prolongar-se por várias semanas.

Febre hemorrágica da dengue (FHD) – Os sintomas iniciais são semelhantes aos do DC, porém há um agravamento do quadro no terceiro ou quarto dia de evolução, com aparecimento de manifestações hemorrágicas e colapso circulatório. Nos casos graves de FHD, o choque geralmente ocorre entre o 3º e 7º dias de doença, geralmente precedido por dor abdominal. O choque é decorrente do aumento de permeabilidade vascular, seguida de hemoconcentração e falência circulatória. Alguns pacientes podem ainda apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

Modo de transmissão:

A transmissão se faz pela picada de fêmeas de mosquitos do gênero Aedes, no ciclo ser humano – mosquito - ser humano. Após um repasto de sangue infectado, o mosquito está apto a transmitir o vírus depois de 8 a 12 dias de incubação extrínseca. Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com pessoa sadia, nem por intermédio de água ou alimento.

Período de incubação:

Varia de 3 a 15 dias, sendo em média de 5 a 6 dias.
Período de transmissibilidade:
O período de transmissibilidade da doença compreende dois ciclos: um intrínseco, que ocorre no ser humano, e outro extrínseco, que ocorre no vetor. A transmissão do ser humano para o mosquito ocorre enquanto houver presença de vírus no sangue do ser humano (período de viremia). Este período começa um dia antes do aparecimento da febre e vai até o 6º dia da doença. No mosquito, após um repasto de sangue infectado, o vírus vai se localizar nas glândulas salivares da fêmea do mosquito, onde se multiplica depois de 8 a 12 dias de incubação. A partir deste momento, é capaz de transmitir a doença e assim permanece até o final de sua vida (6 a 8 semanas).
Diagnóstico diferencial: O diagnóstico diferencial da dengue é feito de acordo com a forma clínica.
Dengue clássica (DC) – A dengue tem um amplo espectro clínico, mas as principais doenças a serem consideradas no diagnóstico diferencial são: gripe, rubéola, sarampo e outras infecções virais, bacterianas e exantemáticas. Além das doenças citadas, outros agravos devem ser considerados de acordo coma situação epidemiológica da região.
Febre hemorrágica da dengue (FHD) – No início da fase febril, o diagnóstico diferencial deve ser feito com outras infecções virais e bacterianas e, a partir do 3º ou 4º dias, com choque endotóxico decorrente de infecção bacteriana ou meningococcemia. Outras doenças com as quais se deve fazer o diagnóstico diferencial são leptospirose, febre amarela, malária, hepatite infecciosa, influenza, bem como outras febres hemorrágicas, transmitidas por mosquitos ou carrapatos.

Tratamento:

Dengue clássico – O tratamento é sintomático (analgésicos e antipiréticos) e pode ser feito no domicílio, com orientação para retorno ao serviço de saúde após 48 a 72 horas do início dos sintomas. Indica-se hidratação oral com aumento da ingestão de água, sucos, chás, soros caseiros, etc. Não devem ser usados medicamentos com ou derivados do ácido acetilsalicílico e antiinflamatórios não hormonais, por aumentar o risco de hemorragias.
Febre hemorrágica da dengue – Inicialmente o quadro clínico é o mesmo da dengue clássica. Geralmente no período da defervescência surgem os sinais da FHD como dor abdominal intensa e desconforto respiratório. Dessa forma, a conduta frente ao paciente depende dos sinais clínicos e evolução da hemoconcentração. Para facilitar o tratamento desta enfermidade, um manual “Dengue - Diagnóstico e Manejo Clínico – adulto e criança encontra-se no link ”publicações”.

Aspectos laboratoriais

Exames específicos - Isolamento do agente ou métodos sorológicos que demonstram a presença de anticorpos da classe IgM, em única amostra de soro, ou o aumento do título de anticorpos IgG (conversão sorológica) em amostras pareadas.
Exames inespecíficos - Hematócrito e plaquetometria são os mais importantes para o diagnóstico e acompanhamento dos pacientes com manifestações hemorrágicas e para pacientes em situações especiais: gestante, idoso (>65 anos), hipertensão arterial, diabete melito, asma brônquica, doença hematológica ou renal crônicas, doença severa do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença auto-imune.


Aspectos ambientais

Entre as medidas indicadas para evitar a proliferação do vetor estão o manejo do meio ambiente na área domiciliar e peri-domiciliar, tais como:
• mudanças no meio ambiente que impeçam ou minimizem a propagação do vetor, evitando ou destruindo os criadouros potenciais do Aedes;• melhoria de saneamento básico;• participação comunitária, no sentido de evitar a infestação domiciliar do Aedes, através da redução de criadouros potenciais do vetor (saneamento domiciliar).

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