domingo, 2 de agosto de 2009

Ética & Trabalho


Os animais vivem em harmonia com sua própria natureza. Isso significa que todo animal age de acordo com as características de sua espécie quando, por exemplo, se acasala, protege a cria, caça e se defende. Os instintos animais são regidos por leis biológicas, de modo que podemos prever as reações típicas de cada espécie. Os animais vêm ao mundo com impulsos altamente especializados e firmemente dirigidos, e por isso vivem quase que completamente determinados pelos seus instintos e cada espécie vive no seu ambiente particular (mundo dos cavalos, dos gatos, dos elefantes, etc.). A etologia é a ciência que se ocupa do estudo comparado do comportamento dos animais, indicando a regularidade desse comportamento.

É evidente que existem grandes diferenças entre os animais conforme seu lugar na escala zoológica: enquanto um inseto como a abelha constrói a colméia e prepara o mel seguindo os padrões rígidos das ações instintivas, animais superiores, como alguns mamíferos, agem por instinto mas também desenvolvem outros comportamentos mais flexíveis e portanto menos previsíveis.

Essas habilidades, porém, não levam os animais superiores a ultrapassar o mundo natural, caminho esse exclusivo da aventura humana.

O ser humano, ao contrário, é imperfeitamente programado pela sua constituição biológica. Sua estrutura de instintos no nascimento é insuficientemente especializada e não é dirigida a um ambiente que lhe seja específico. Sugar e chorar são das poucas coisas que sabemos quando nascemos. O mundo humano é um mundo aberto, isto é, um mundo que deve ser construído pela própria atividade humana.

Como os outros mamíferos, estamos num mundo que é anterior ao nosso aparecimento. Mas, diferentemente deles, este mundo que nos precede não é simplesmente dado, colocado à nossa disposição para um relacionamento imediato. O ser humano precisa "organizar" o mundo para superar o "caos", necessita construir um mundo para si, um mundo que tenha um sentido humano, e, nesse processo, construir a si mesmo.

É como se pelo trabalho o homem, na condição de transformador da natureza, pudesse atingir seu mais elevado ideal de realização, com consciência e liberdade. Quando o homem age, cria e empreende, produzindo objetos e saberes, bens materiais e simbólicos, está atuando não somente no campo do fazer, isto é, no âmbito do trabalho, mas também no campo do saber e do poder, ou seja, no campo da cultura e da política. Tais dimensões estão entrelaçadas e carregam uma forte componente ética.

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