segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Desmatamento na Amazônia cai, mas dados não são conclusivos

O Governo Federal anunciou nesta segunda-feira, 9 de agosto, uma queda de 49% na estimativa de desmatamento acumulado na Amazônia entre agosto de 2008 e julho de 2009, no comparativo com o período anterior. Os números são positivos, mas revelam uma situação preocupante: o crescimento nos desmates realizados em pequenas propriedades.

O índice foi apurado pelo sistema Deter, do Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (Inpe), que tem como função principal alertar as autoridades com rapidez  para focos de desmatamento na região. Trata-se de um indicador menos preciso que o do Prodes, também do Inpe, que deve ser divulgado nos próximos meses.

Para Cláudio Maretti, superintendente de Conservação do WWF-Brasil, a estimativa apresentada é positiva e se deve, principalmente, à efetividade das políticas de fiscalização em áreas de maior extensão. "Porém, há um preocupante aumento do desmatamento em áreas menores, que ainda não foi mensurado. Os números apresentados pelo governo não são conclusivos, apenas indicam uma tendência de queda", afirma.

Cláudio Maretti destaca ainda que é preciso questionar se, de fato, estão colocadas as condições estruturais para uma redução continuada do desmatamento. "De um lado, temos importantes políticas de controle e fiscalização, de criação e implementação de áreas protegidas e de promoção do uso sustentável. Por outro, há licenciamentos para obras de infraestrutura feitos de forma apressada e a possibilidade de modificação no Código Florestal, o que acaba funcionando como um estímulo ao desmatamento e à ocupação desordenada na Amazônia", concluiu.

Um ponto que chama atenção é o fato de o levantamento feito pelo Instituto do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon) ter apontado, ao contrário dos números do governo, um leve aumento nos desmatamentos na Amazônia.

O Brasil assumiu, na conferência do Clima em Copenhague, em 2009, importantes metas de redução de desmatamento. Porém, são compromissos voluntários, cujo cumprimento não é obrigatório. "Não pode haver conivência com o desmatamento, sob a forma de anistias e de projetos que flexibilizem o Código Florestal. Isso torna quase nula a possibilidade de alcançarmos o desmatamento zero. O Brasil deve cumprir as metas assumidas nas convenções de Clima e de Biodiversidade e defender seu maior patrimônio: a natureza, para promover um desenvolvimento que seja sustentável e uma economia verde", avaliou Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil. 

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